União das Freguesias de Selho (S. Lourenço) e Gominhães União das Freguesias de Selho (S. Lourenço) e Gominhães

História

Gominhães

Pequena freguesia situada a norte de Guimarães e desta "cidade distando uns sete quilómetros, Gominhães, vê-se encaixada entre as congéneres S. Torcato (a leste e norte), Penselo (a sul), Santo Tirso de Prazins (a oeste) e ainda S. Salvador do Souto (a noroeste). 

Em termos de ligações rodoviárias à capital concelhia, Gominhães é servida pela EN 207-4 (com ligação à Póvoa de Lanhoso, através de Arosa). Em termos geográficos, este território paroquial (de exígua extensão) enquadra-se no extenso e espraiado vale de S. Torcato, de uberes planuras irrigadas pelo pequeno rio Selho e seus regatos tributários. Habitada na actualidade por umas seiscentas almas (557 residentes segundo os censos de 1991), Gominhães é uma freguesia de vincado cariz rural, predominando as actividades do sector primário como fulcro de uma fruste economia local. 

Despontando recentemente, aqui e ali, registam-se uma ou outra pequena unidade industrial, na generalidade assumindo expressão familiar e ligando-se ao ramo das confecções.

A povoação de Gominhães (topónimo que o Prof. J. Piei considerou de origem etimológica radicada em nome pessoal germânico) surge já documentada - sob a grafia "Gumilanes" - em um diploma datável de 950. Cerca de um século depois, em 1059, e já também testemunhada a respectiva igreja: "ecclesia Sancto Felici et in Gumilanes" (Avelino Jesus da Costa). É de todo provável que já pelos alvores da Idade do Ferro se registasse, em área da freguesia, um povoamento integrável no fenómeno da Cultura Castreja do Noroeste Peninsular. 

Pelo menos assim o entenderá o arqueólogo Armando Coelho F. da Silva, no seu arrolamento de estações castrejas, onde alude ao sítio do Castelo, Nossa Senhora do Socorro. O inventário arqueológico do P.D.M. alerta, por seu turno, para a existência de um suposto "capitel da ordem coríntia", patenteado no dito lugar da Senhora do Socorro, por certo no templete ali erigido. 

Interessante, dos pontos de vista arquitectónico e histórico, é a Capela da Senhora do Bom Despacho, imóvel classificado em 1983 como "valor concelhio". Trata-se de um edifício de razoáveis proporções e certa harmonia evidenciada na respectiva traça, que é tida por seiscen¬tista. O Abade de Tagilde, na obra "Guimarães e Santa Maria", refere este templo como sendo meeiro de Gominhães e S. Torcato. Pelos finais da década de setenta deste século, chegou-se a registar uma demanda judicial para inquirir da posse do mesmo, como refere José Maria Gomes Alves. E é este mesmo autor quem escreve: "A data da sua instituição não é conhecida com exactidão mas que existia já em 1716 é incontroverso porque esta data aparece bem marcada numa das cruzes de pedra da via sacra, que está próxima da torre e ainda porque a feição generalizada dos elementos arquitectónicos da sua parte mais antiga é característica da arquitectura dos princí-pios do séc. XVII, como se vê facilmente. Além disso faz-se-Ihe referência nos Livros da Colegiada, reportados à data de 1644 e nos Livros Paroquiais, já em 1669 se diz que esta Capela é antiga". 

No edifício, dotado de capela-mor (com um arco cruzeiro, de volta perfeita, ligando aquela nave, interiormente), mostra uma frontaria simples, com o pórti-co rectangular liso defendido por um alpendre de equilibradas proporções, assente sobre dois únicos colunelos ao estilo "toscano"; duas janelas quadran¬gulares, em posição baixa, e um minúsculo óculo liso, a nível superior, com¬pletam esta frontaria. À direita do observador (flanco sul) levanta-se, por sua vez, uma algo pesada e "atarracada" torre sineira, de dois pisos, com cobertu¬ra piramidal em granito e quatro volumosos fogaréus ornamentando os topos dos cunhais. 

Para o último autor citado, esta torre será já de erecção posterior ao templo. Curioso é o conjunto constituído por três lajes sepulcrais respeitantes a família Meira, encaixados precisamente em frente ao pórtico, sob a pequena galilé.

in "Silva, João Belmiro Pinto da, 'Guimarães - Nas Raízes da Identidade...', Anégia Editores, ed. lit., 1999

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